O Brasil tem mais de 16 milhões de pessoas negras vivendo em quilombos remanescentes. O País precisa voltar os olhos para as dificuldades e violências sofridas por essas pessoas, que só querem o direito de viver em paz. Os primeiros quilombos do Brasil surgiram no período da escravidão, quando os negros que conseguiam fugir se uniam em locais escondidos – embrenhados no meio da mata. Lá, passavam a viver de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo em comunidade. Atualmente, são 16 milhões de pessoas negras vivendo nos 5 mil territórios quilombolas remanescentes espalhados pelo País. E, se antes a ameaça eram os senhores de engenho, hoje são os fazendeiros. No território quilombola localizado em Maragogipe, no recôncavo baiano, moram mais de 40 famílias, que resistem não só às ameaças dos fazendeiros – que invadem reuniões e tentam expulsar os que ali vivem – mas também para manter suas tradições e sua cultura. Essas famílias desejam permanecer nos quilombo, em paz, e lutam até hoje pelo direito à terra, que garante a alimentação e sobrevivência de todos os que moram e preservam a região. Contudo, ainda convivem com a incerteza e com o medo da violência contra as comunidades, que é cada vez mais crescente. Participantes: Lenira dos Santos, quilombola; Eliete dos Santos, quilombola; Erivaldo Oliveira, presidente da Fundação Palmares.
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