João Pedro Cavalcanti

Adaptação e resiliência climática nas cidades | Filantropia | Negociações Internacionais | Jovem Negociador pelo Clima

Publicado em 15 de abr. de 2025

 

Como a diversidade do movimento climático jovem pode assegurar o bom desempenho das atividades da Presidency Youth Climate Champion na COP30?

A expectativa em torno da escolha da Jovem Campeã Climática para a COP30 — muitas vezes referida como PYCC, do inglês Presidency Youth Climate Champion — está reacendendo um debate muito bem-vindo sobre a diversidade do movimento climático jovem no Brasil e sua capacidade de articulação.

Aproveito e reconheço esse debate como um marco importante para as diversas formas de se perceber e ser ativista climático no Brasil de 2025! Reconhecemos aqui o engajamento e a mobilização da sociedade civil brasileira nos fóruns e espaços de diálogo internacionais —tendo o Fórum Global, a Cúpula dos Povos e o Fórum Mundial Social como acontecimentos-chave para a institucionalização das agendas dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, movimentos de fé, povos originários e tradicionais, coletivos periféricos e organizações de juventude frente aos megaeventos, espaços de negociação e fóruns internacionais.

De lá pra cá, avançamos muito. A juventude brasileira — a partir da agenda do clima — se estabeleceu como eixo estratégico e indispensável para a disseminação de conhecimento e informação a partir de suas mais diversas realidades. E são essas realidades múltiplas que encorpam e mantêm o nosso movimento atual e atuante — trouxeram novas perspectivas, oxigeneram modos de fazer, reforçaram demandas antigas e se encontram agora frente ao Maracanã das negociações internacionais.

A COP30 demanda ação coletiva. Um mutirão que tem de ser impulsionado a partir dos territórios desse país que foram e seguem sendo explotados — tiveram e ainda têm seus rios soterrados por lama, suas florestas devastadas pela bala, pelo trator e pelo lixo — e que ao mesmo tempo não pararam de criar, imaginar e inventar soluções para não só se manterem vivos; como para manter o mundo todo vivo!

Com o anúncio da Jovem Campeã Climática se aproximando, nossa expectativa quer ir além da celebração da escolha de um rosto preto/originário, periférico e com o lastro de engajamento e articulação no movimento climático jovem. Queremos mais!

Desejamos e encorajamos que essa escolha venha acompanhada de mecanismos estruturantes que (i) acolham a diversidade das juventudes engajadas na implementação de soluções de enfrentamento à crise climática em todo o território brasileiro, (ii) valorizem o lastro de atuação, conquistas e aprendizados das juventudes climáticas, (iii) compreendam as desigualdades históricas que o movimento climático jovem reflete da sociedade brasileira e, sobretudo, que (iv) sejam de livre acesso, transparentes e facilitados para toda e qualquer pessoa jovem brasileira.

Essa liderança jovem precisa ter raízes no povo e olhos para os futuros — sim, no plural. Representar o Brasil na COP30 é estar comprometida com os territórios, mas também com o diálogo entre juventudes do Sul Global que reconhecem nas desigualdades, no racismo ambiental e na violação de direitos a urgência de clamar por justiça climática. É defender o multilateralismo e a comunidade internacional baseada no princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas; no desenvolvimento sustentável; na autodeterminação dos povos e na soberania nacional.

Por fim, invoco as nossas ‘culturas de invenção’, como nos revelou o professor Luiz Antônio Simas:

“[…] culturas de invenção: aquelas que resistem, mas vão além da resistência e não se limitam a reagir: elas inventam mundos e celebram a vida onde, aparentemente, só a morte poderia imperar. São culturas encantadas.”

Que a Jovem Campeã Climática da COP30 seja reconhecida, afirmada e sustentada coletivamente — pela sociedade civil, pelo governo federal, pelos governos subnacionais, pelos organismos internacionais, pelas redes de filantropia nacionais e internacionais e — sobretudo — pelo próprio movimento climático jovem. Essa é a oportunidade de mais uma vez inventarmos e oxigenarmos nossas próprias táticas, estratégias e soluções de enfrentamento à crise climática, a partir da singularidade de cada território e cada jovem deste Brasil.

Fonte: https://pt.linkedin.com/pulse/reflex%C3%B5es-sobre-nomea%C3%A7%C3%A3o-da-jovem-campe%C3%A3-clim%C3%A1tica-para-cavalcanti-nxltf