Medida é para diminuir desvantagem das mulheres que, por conta da licença-maternidade, tiveram que diminuir produção acadêmica e saem atrás na disputa por bolsas de pesquisa
Bruno Alfano
28/02/2019 – 09:43 / Atualizado em 28/02/2019 – 11:49
RIO – Um edital da Universidade Federal Fluminense (UFF) recém-publicado inclui um mecanismo inédito para equilibrar a concorrência de homens e mulheres na disputa por bolsas de iniciação científica. Nesse concurso, as professoras que tiveram filhos nos últimos dois anos terão um acréscimo de cinco pontos — caso não atinjam a pontuação máxima — para compensar o tempo de licença-maternidade que foi sem produção acadêmica, um dos critérios para a escolha dos bolsistas. Além de mães, pais que adotam crianças e também casais homoafetivos que tirem licença para cuidar dos filhos também terão direito à pontuação extra. Esta é a primeira vez que este tipo de compensação é utilizada em um edital no país.Parte superior do formulário
O concurso, do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) de 2019, seleciona alunos de graduação para ganhar a bolsa. Um dos critérios é a pontuação, e, quanto maior a produção acadêmica (como artigos publicados em revistas científicas), maior será a quantidade de pontos, que pode chegar até 40. É neste item do edital que a nova regra busca reparar a diferença de gênero.
— Quando a mulher tira licença-maternidade, ela fica sem produzir e acaba ficando para trás nos editais. Isso que a UFF fez é muito novo. Há, no país, um movimento nacional neste sentindo e estamos começando a ter agora algumas iniciativas que olham a maternidade — afirma Márcia Barbosa, professora do Instituto de Física da UFRGS e diretora da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
A inclusão do mecanismo foi uma demanda do grupo Mulheres da Ciência, que foi instituído em agosto de 2018 vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação da UFF. Ele busca incentivar a participação das mulheres nesse campo. Em especial em áreas com sub-representação feminina, como Física, Matemática e Computação.
O grupo também discute apoio para pesquisadoras que são mães e busca a igualdade de gênero entre os acadêmicos.